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4.4.12

Nan Goldin e o MMA



Quem decide o que é polêmico?

Pode soar modernexismo da minha parte, mas a questão é que não entendo como amor pode ser polêmico e Multiple Martial Arts têm que descer pela minha goela junto com a cerveja do meu happy hour.

A exposição na Nan Goldin foi censurada pelo Oi Futuro e o MAM a recebeu de braços abertos e uma nota de inadequação para menores de 18 anos.
Polêmica, transgressora, submundana, suja, subersisva, etc etc etc foi tudo o que ouvi dos mais puretas e no entanto vi uma exposição linda.

Obviamente registros pálidos de uso explícito de heroína não combinam com o pôr do sol outonal do Aterro do Flamengo, muito menos com uma excursão escolar - o que talvez faça com que a nota "quase censura", seja até de bom tom para os desavisados.
Mas no geral, tudo o que vi foi uma exposição sensível e que questiona nossos valores lationamericanos, católicos e repressores sobre como vivemos nosso amor, nosso corpo, o sexo e a catarse nossa de cada dia.
Talvez seja necessário menos socos e chutes nos telões LCD/Plasma/LED, que são exibidos com todo o orgulho pequeno-burguês da nova classe C brasileira em seus botecos e quiçá casas noturnas, e mais arte, mais amor, mais questionamento e inspiração entre brindes.
Esse pensamento classe média de que "porradaria entre macho" pode até ser apresentado pela Sandy, mas casais se amando ficam jogados no submundo de uma sala escura de um Museu de Arte Moderna sendo cultuado como "manifestação do MalDito" não me soa coerente.
Nem tanto sangue nem tanto tabu, por favor.
Comecei a crer por alguns instantes, que as "frases de efeito" de Caio Fernando de Abreu, tão reproduzidas nas minhas telas de redes sociais, tivesse começado a fazer algum efeito no conceito defasado de "inadequação" da nossa classe média.
Mas pelo visto, os morangos do Orkut não estão mofados e a devassa Sandy continua a cantarolar a trilha de abertura do novo reality show de MMA da Globo sem que isso pareça ... harmônico.

21.11.11

Sobre o quê os psicólogos (eu) pensam em episódios de aparente ausência...



"A Bottega Veneta acaba de lançar seu primeiro cd.
As músicas são de desfiles da marca e está sendo vendido nas lojas e no site..."

Há um tempo, li esse "report" (clique!) sobre como a marca era a cara dos "Novos Boêmios".. Um termo designado aos neo bon vivants, que com a facilidade de viajar e crescimento econômico, começam a se preocupar mais com o bem-estar que com o dinheiro que ganham, ainda que para esse conceito de "bem-estar" precisem de uma boa quantidade de dinheiro.

Independente de comportamentos de consumo atuais serem importantes ou não, o meu ponto é como se formam tais identidades.
Ando pensando muito ultimamente nesse tópico, desde que comecei  estudar branding. Mais que quando estava na graduação de psicologia. Claro que uma coisa puxa a outra..

Ando o tempo todo observando as pessoas e imaginando como e quem é aquela pessoa.
Desde criança fui condicionado a pensar que a pergunta "quem é você?" fosse de difícil resposta. E concluí que ás vezes é mais difícil responder essa pergunta pelo fato de que gramaticalmente, é impossível.

O verbo Ser em inglês e algumas outras línguas é o mesmo que para Estar.
Facilita e muito a resposta.
Eu estou psicólogo. Eu sou curioso. Só depende do foco...

Gramáticas à parte, o que compõe a identidade além de conceitos que nos damos e nos dão, são coisas que fazemos, pensamos, queremos, comemos, assistimos, ouvimos, bebemos, frequentamos, etc.

Definir identidades de pessoas pra uma marca e fazer à partir disso um trabalho de marketing ou qualquer outra coisa, é bem fácil quando se é criativo.
Desvendar quem é o indivíduo num set analítico, demanda tempo, descrença e supervisão.

Psicologias também, à parte (quer dizer, nem tanto assim) Adoro personificar as coisas!
Seja um filme, uma obra de arte, uma música/banda, uma bebida/drink, entre mil outras coisas.
Quase que como fazem em desenhos animados, eu já logo crio uma personalidade e uma história pra aquela determinada "coisa".

Percebi o quanto isso era forte numa festa chata em que me vi olhando para as pessoas e imaginando o que elas ouviam em casa. Claro que o contexto influenciou diretamente na minha análise-criativa da cena. 
A festa era ruim e hippie, meio farsa. Uma menina representava a festa.
Basicamente achava que ela tinha um complexo de Gal Costa tardio, logo mal-resolvido (também invento psicopatologias, visto que as dos guias são chatas e muito dramáticas), por que tinha um cabelo, um tanto quanto, fatal, pero no mucho.
Usava um vestido 60's, xadrez, mal feito que faria Pierre Cardin chorar (ela jurava não acreditar em Moda). E um tênis all-star.
Ela dançava mal e fedia um pouco.

Mas me marcou. Marcou por que ela era uma grande representação daquele ambiente em que eu estava, que buscava uma originalidade que já não mais existia. Uma contestação sem propósito e com o objetivo único de serem como nossos pais, tomando cerveja barata e quente ainda que sejam pós-universitários num terraço coberto na Lapa.
Na hora criei uma história, alguns amores e traumas pra essa garota. Tudo foi embora quando minha ressaca chegou. Mas tudo fez muito sentido!
Uma das cenas rotineiras era de ela copiar um pouco seus affairs, e ouvir Novos Baianos por causa deles. Ouvia e fazia questão de decorar a letra pra cantar na festa daquele fim de semana e provar a todo mundo que fazia parte daquele grupo. Ainda que não soubesse que Baby Consuelo, virou Baby Do Brasil, evangélica e mãe das SNZ, atração frequente nos programas dominicais destinados às classes C, D e E.

Claro que existem personagens menos detonados que esses. Mas os em que destilo minha críticas, são os mais divertidos. 
Os Novos Boêmios da Bottega Veneta por exemplo, viraram um seriado na minha cabeça.. Muito drama, vinhos neo-zelandeses, e filosofia barata na noite dos balneários europeus.

7.11.11

Mix it up


Sabe aquelas versões de músicas em outros estilos?
Houve um boom de clássicos do punk rock em new-bossa pelo Nouvelle Vague...
A Rio Sessions com músicas de 80's, 90's, etc, em new bossa também.
Bob Marley, Stones, Guns'n'Roses, também não ficaram de fora.

Além disso, versões de músicas pop em milhões de outros possíveis estilos, viraram cool e pipocaram na internet nos últimos anos, assim como as mash ups.

Críticas e preferências pessoais à parte, o Rock'n'beats fez o álbum "Is This Indie" com bandas brasileiras, dando seu toque pessoal e suas versões às músicas dos Strokes.
As bandas não são necessariamente de indie-rock - a queridíssima Banda Uó fez uma versão delícia para Last Night, e que eu descrevi no facebook como "Strokes versão eletrobrega inspirado em Odair José, um clipe psicodélico-chroma-key e figurino 90's."

Não conhecia as bandas em nada do tipo e nem quero comentar as performances, ainda que tenha adorado.

O que eu preciso compartilhar mesmo é a necessidade das gerações atuais - isso me inclui, claro - "do tudo ao mesmo tempo agora".
O Pop já não é mais só pop, ele tem a versão rockabilly, por que afinal de contas, 50's é o novo 90's e não faz sentido essa segregação.
Uma banda tão incônica aos anos 2000 não poderia ser deixada de lado, e logo fizeram versões pros hits em indie-rock-brasileiro e entregaram o álbum em mãos ao Casablancas, depois do show de sábado.
E eu nem fico curioso pra saber o que ele achou, por que talvez ele esteja tão fora do contexto em que o álbum foi criado, que não teria tanto sentido, talvez - ainda que o baterista seja brasileiro.. Vai saber!

Existem teorias sociológicas de que o mundo atual funciona como uma rede de linhas de metrô.
As estações seriam as referências, tribos, etc. e nós viajamos sem saber muito bem por onde, de onde e pra onde, afinal o metrô é "invisível". E a cada estação e descemos, pegamos alguma coisa que nos interessa e juntamos ao que antes já havíamos coletado.
Basicamente, ninguém é só "hippie" ou "punk" ou "indie" ou "playboy", etc.. 
A segregação já é quase impossível devido ao grande número de informações absorvidas ou não, diariamente.

Logo as mash ups, versões musicais, e estilos fazem mais sentido na sociedade contemporânea, do que a insistência por uma identidade musical/fashion ou de estilo de vida puro e sem influências.

É daí que o cool se mistura ao brega e ganha prêmios de música.
É daí que o "Rock In Rio" tem hip hop, axé, pop, soul e rock, e de onde tiveram a ideia genial de unir bandas e cantores nunca antes juntos, no palco Sunset. 
E o Marcelo D2 profetizando "hip hop ao samba", faz toda uma cidade como o Rio de Janeiro, venerá-lo.
É daí que surgem os termos aparentemente absurdos e sem sentido de neo-retrô, hippie chic, e onde o Hi-lo toma conta dos editoriais de moda nos últimos anos.

O sagrado e o profano andam de mãos dadas na cultura contemporânea e ninguém sabe ao certo por quê e como isso foi acontecer.

Com todos os possíveis movimentos sociais, onde tudo é cíclico ou melhor, "helicoidal", pode ser que voltemos à segregações sociais, em busca das identidades originais, essências, etc.
Mas antes, ainda tem muito hip-hop-rock-samba pra tocar na sua iVitrola.

****


E a banda "The Baseballs" também é uma boa pedida pra quem quer ver Rihanna ficar interessante: http://trendcoffee.cc/post/11404817786/the-baseballs


27.10.11

A discrição é o novo Orkut



É tanta informação que não se pode deixar de saber, tanta gente "incrível" a seguir, tanta piada e jargão que você se pode deixar de conhecer, bebês! Que fica difícil acompanhar tudo o tempo todo das timelines.
A tecnologia é uma grande manifestação de novidades por segundo que enlouquecem qualquer um, com necessidade crônica de informações...
Mas também existe um movimento contrário.
Há algum tempo, com toda a modernidade dos gadgets, Mr. Jobs, parece ter entendido tudo isso e apostou no design e aplicativos-comfort.

Assim como na comfort-food, acredito no comfort-tech.
Não sou uma pessoa tecnológica, mas sou um desses observadores cheios de teorias... E como tenho sentido minha mente cansada depois de uma hora ou três na frente das minhas redes sociais e visitas aos "favoritos", comecei a pensar se não era a hora de voltar aos analógicos e me restringir ao bom e velho jornal de papel.

A busca pelo comportamento "vintage" é só uma busca por aquilo que já é conhecido, aquilo com o que fomos criado e não precisamos nos desgastar filtrando ou fazendo com que os aplicativos e programas filtrem por nós mesmos, as informações realmente relevantes.

O mundo mediado por tecnologia de ponta, só faz com que fique mais frio, distante e menos filosófico e mais superficialmente informativo.
Sim, as pessoas nunca tiveram tanto contato umas com as outras, mas um contato igualmente superficial.
Nota-se um movimento de diminuição de "número de amigos" em redes sociais, de número de fotos por álbum, e até mesmo do tipo de foto.
A auto-expressão on line, ainda que extremamente calculada e minuciosamente planejada, logo nem tão espontânea assim, fica cada vez mais narcísica, mas de alguma maneira menos poluída aos olhos de quem vê.

O número de megapixels foi substituído pela qualidade estética e relevância dos registros.
A discrição é o novo Orkut.

As fotos da vida noturna de cada um, registrados por mil sites que se propuseram em algum momento ser qualquer tipo de coluna social, hoje nada mais é que uma ideia falida, se não tem o mínimo de humor, criatividade e escracho.
Talvez seja mais interessante o registro de um sapato anônimo à pose ensaiada no espelho do banheiro de casa, de duas amigas fiéis às saias balonês de cintura alta, seguida da legenda de nomes completos.

A busca é pelo minimalismo, seja no design, na resolução das fotos, ou no comportamento. Tem que saber o quanto expressar, e principalmente o por quê.




Apenas o clichê




Acabei de assistir "Apenas o Fim", filme brasileiro super independente com o Gregório Duvivier e a Érika Mader, passado na PUC (RJ), dirigido por um até então, estudante da PUC (RJ).
Essas eram as informações que tinha quando vi qualquer crítica sobre o filme.
Fiquei curioso em relação ao roteiro, que na época O Globo não especificou. Só elogiou.
Um delicioso clichê universitário da zona sul carioca!
Um término de namoro de uma hora de discussão.
Tem um quê de "Antes do amanhecer" e sua sequência, mas na PUC-RJ.

Fiquei pensando, além de qualquer coisa relacionada à construção da personalidade dos personagens, o que leva as pessoas a assistirem esses filmes. É uma DR, logo, presume-se que é um entediante e irritante, já que ninguém, além das histéricas, gosta de DR.
Ou seria a questão de que pimenta nos olhos dos outros é refresco?

Teorizações nem tão à parte assim, os personagens têm conversas de um casal em seu auge, porém no término do relacionamento. Se descobrem a cada pergunta casual repetida sobre preferências e .. teorias sobre o cotidiano.

O personagem do Gregório Duvivier, assim como eu, teoriza ironicamente até o por quê ele é a favor do trabalho infantil. Acaba por ser meio incompreendido, o que reforça o clichê jovem nerd aspirante a cineasta que ele aparenta se orgulhar, exibindo os óculos do avô com  coragem e louvor apesar do meio grau de miopia.
Ela, não foge aos estereótipos garota zona sul de personalidade excêntrica ao ponto de namorar o perdedor-geniozinho da faculdade, ainda que seja linda.

Os clichês se repetem a todo instante assim como "facas e ursos de pelúcia" se repetem no roteiro do filme.
O tema é clichê, os personagens são clichês, o lugar é clichê, as conversas são todas aquelas que se tem numa mesa de bar ou num domingo de pizza - cenas igualmente clichês.
Mas não seria isso que traz o charme do filme?
Não seria a segurança daquele fim esperado desde a primeira leitura do título do texto?
A falta de surpresa nos personagens com quem os protagonistas cruzam? Na trilha sonora "Marcelo Camelo"?
No banho de água fria (literal) do perdedor?

Qualquer comédia romântica ganha um casal na segurança de um clichê. Por isso são comédias, senão caem direto na sessão dos dramas das extintas locadoras.

E assim termino mais uma breve teoria irônica sobre o por quê comédias românticas são como valium para casais.

14.9.10

"Saudosismo": já em VHS na locadora mais próxima!

Enquanto existem os saudosistas do tempo do vinil, eu sou entusiasta das fitas VHS.
Concordo que eram espaçosas, sujavam, a qualidade da imagem tava loooonge de ser a melhor e ainda tinha que rebobinar depois de assistir - ou antes, caso algum babaca não fosse educado o suficiente para fazê-lo. Mas de qualquer maneira eu sou do tempo do VHS SIM, ainda que alguns amigos por aí se irritem com meu 1987 no Facebook.

Comecei a assistir filme e me apaixonar por cinema, alugando fita. Chegava ao ponto de brigar com meu pai quando ele não me deixava ir na locadroa da esquina, onde eu já havia visto a maioria dos filmes, alugar qualquer coisa em um final de semana ensolarado de novembro - mal sabia eu que era uma estratégia, posteriormente malsucedida, de não deixar o filho de 11 anos com bronzeado de mussarela, e conseguir carregar pra algum sítio pra jogar bola e nadar: afinal de contas, nessa época eu ainda teria salvação e ser moço saudável de bochechas rosadas e cara de pré-adolescente risonho, se é que isso já existiu em algum lugar.

Desabafos freudianos a parte, além de alugar filmes, o que mais me fascinava era o fato de poder gravar programas de tv, filmes, videoclipes, shows, etc., visto que não havia youtube ou possibilidade de fazer downloads de episódios de seriados em 1998, em que a internet ainda era discada, e eu praticamente só usava o mIRC e ICQ.

Eu tinha uma grande coleção de fitas com meus clipes favoritos, filmes que eu gravava na madrugada, filmes que eu não me cansava de ver, programas imperdíveis que eu PROGRAMAVA - perceba a existência do conceito de alta tecnologia in nesse vocábulo - a gravação, enfim! Coisas que eu nunca mais consegui recuperar.

Além disso, haviam fitas e mais fitas de aniversários, festas na escola, em família, etc. Tudo chatérrimo, mas que eram lembranças.
Eu sei que dá pra passar pra dvd, mas perde a graça! Quero ter que rebobinar, posso?
Quero ter que mandar limpar o cabeçote do videocassete depois de ver essas fitas velhas!
Mentira, não quero. Mas quero meus programas de volta, AH isso eu quero!
Quero EXATAMENTE na ordem, os videoclipes que eu gravava do TVZ ou do Supernova da MTV. Quero o show do David Bowie com cenas dos bastidores que foi especial de Natal da MTV lá no começo de 2000!
Quero assistir e reassistir "E Sua Mãe Também" e não ter que baixar o filme!

Odeio saudosismos, até porque dvd é realmente muito mais útil, pático, etc etc etc, mas que era divertido gravar coisas da tv, disso eu não tenho dúvidas!
Mãe: não te perdoo por jogar minhas fitas fora, pq "acumulavam poeira".

20.8.10

Vintage, por que?


Se existe uma tendência em alta no mundo é o Vintage.
Retrô, antigo, moda de brechó, roupa de vó/vovô, etc - ainda que o mundo fashion adore discutir diferenças sobre os termos..

Alguns dizem que tudo é pela falta de opção das lojas "moderninhas", que é tudo muito óbvio e que se você compra alguma coisa num brechó, ninguém mais terá nada igual. Ok ok... Mas porque então não mandar fazer a roupa?

De uns tempos pra cá, começou a ser cool e charmoso comprar coisas usadas, seja livro, seja disco (LP mesmo!), sejam filmes, sejam acessórios, roupas, etc. A procura por brechós vem crescendo cada vez mais e provavelmente por um motivo muito maior que só a "originalidade", a busca por uma história na roupa ou qualquer coisa do tipo.

A grande prova disso é o número de brechós que vem crescendo no mundo todo. No Brasil, a cultura da "2ª mão" ainda não pegou muito, ainda que nas grandes cidades seja possível encontrar algumas lojas já consagradas como o brechó "Minha Avó Tinha", entre alguns sebos também. Mas um grande exemplo de que "coisa velha" é coisa nova, é a Rough Trade, uma loja londrina de artigos usados que virou selo musical e chegou a lançar The Smiths para o mundo nos anos 80, mas que hoje em dia é focada em música.
Atualmente, a Rough Trade é a loja mais cool de Londres, e tem filiais nos pontos mais legais da cidade. Se tem Rough Trade a vizinhança é legal, FATO! A "marca" é tão cool, que foi um dos patrocinadores do festival 1234 - que eu já tanto falei por aqui - e tinha até "barraquinha" vendendo roupas por lá.

Outro brechó famoso na terra da Rainha é o "Rok It", que segue o mesmo modelo da Rough Trade, mas sem selo musical - só a trilha sonora da loja que é incrível - eu mesmo andei fazendo umas aquisições por lá...

Mas independente de tudo, as vintage-stores nem sempre tem peços acessiveis.. Muitas vezes as peças dessas lojas são até mais caras que as próprias marcas em regiões refinadas de metrópoles europeias. Porque?

Dizem que essa é uma atitude eco-friendly (as sacolas dessas lojas geralmente são eco-bags, inclusive), e que isso é estar na moda. Concordo e apoio! Desde que você não tenha que desembolsar cerca de £30 numa T-Shirt básica só porque é vintage, e "vintage é cool".
Se situem brechós: vocês vendem coisas usadas.

6.5.10

Mash your bootie até o chão! Chão! Chão!

Desde o começo deste ano venho acompanhando o blog 365MashUps do João Brasil, que se propôs o desafio de fazer 1 mash up por dia nesse ano de 2010.
*
Uma vez baixei por acaso uma mixtape do João Brasil, que fez especialmente para o blog O ESQUEMA, que se chamava "Big Forbidden Dance", e fiquei apaixonado pelo tipo de musica produzido em que ele misturava várias músicas em uma única faixa, e ficava como uma música nova e muito engraçada. A forma mais "simples" é usar uma música de base e colar o vocal de uma outra.
*
No caso de Big Forbidden Dance, começa a tocar funk e termina com uma lambada e quando se vê já foi até o chão e está rebolando com um par ao som de Kaoma.
*
Parece bizarro, e é, mas é admirável o talento desses djs de tocar uma música cafonérrima, juntamente com um clássico tipo Beatles e fazer uma outra coisa completamente diferente e divertida!
*
Nos últimos dias começou a divulgação da festa Bootie Rio, no Fosfobox, a primeira festa 100% mash up do Brasil, produzida pelo Fabiano Moreira (ex-AGEMDA). A festa já existe no mundo todo e chega no Rio na próxima sexta, dia 14 (véspera do meu aniversário, anotem!), e promete!
A divulgação tem sido espalhar pela web, todo o tipo de mash up produzida por artistas da área, e tem aparecido MUITA COISA BOA!
Aliás, sustentou meu vício e ainda me deixou com (MAIS) vontade de fugir pro Rio no próximo fim de semana!
*
Selecionei algumas coisas pros meus queridos leitores conferirem a genialidade das jogadíssimas Mash Ups! Tem pra todo gosto!
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Lady Gaga:



Tom Jobim – “Wave” with Mc Marcelly – “Eu sou tudo“! Mashup name = Eu sou wave!

Eu sou wave (João Brasil)bylontramusic

Tom Jobim with João Gilberto and Stan Getz – “Só danço samba” X Pretinho Tenor – “Vuk Vuk“. Mashup name = Só danço Vuk Vuk!

Só danço Vuk (João Brasil)bylontramusic

LCD Soundsystem – Home X Lily Allen – Friday Night! Mashup name = Home night!

Home night (João Brasil)bylontramusic

Um Tapinha Não Dói – Furacão 2000 (The Twelves/Fever Ray Remix)

Fever Ray Remix)bybootierio

Funk da Bixa Xoxota X Kraftwerk



Black Eyed Peas – My Humps X Banda Calypso – Louca sedução. Mashup name = Louca por humps

Louca por Humps (João Brasil)bylontramusic

What Fricote can I say (Jay Z vs Luis Caldas)

What fricote can I say (João Brasil)bylontramusic

Freddie Freeloader X Drop it like its hot (Ft. Pharrell) = Drop it Freddie

Drop it Freddie (João Brasil)bylontramusic

Touch it Morena (Busta Rhymes vs Los Hermanos)

02 Touch it, Morenabybootierio

Mashup - Queen vs. Outkast - Hey We Will Rock You Ya



***
Para saber um pouco mais da história do estilo e a diferença pro Remix: http://papodehomem.com.br/mashups-quando-a-soma-das-partes-e-maior-que-o-todo/

No mais, SIJOGA! :)

Fontes:
http://365mashups.wordpress.com/
http://bootierio.wordpress.com/

24.4.10

Alice @ Go!Midia Blog

Alice é o filme mais esperado da temporada, e estréia hoje em todo o Brasil, depois de duas vezes adiado – a princípio, para aumentar a bilheteria que deixou a desejar nos EUA.

O filme de Tim Burton conta com Mia Wasikowska como Alice, Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Anne Hathaway, Matt Lucas, Alan Rickman e Timothy Spall e ganhou o título de maior estreia em 3D, superando Avatar.
O fato de ser um filme de Burton é o que mais atrai os espectadores, devido a toda estética já conhecida do diretor, que está em sua oitava parceria com Johnny Depp – Edward Mãos de Tesoura (1990), Ed Wood (1994), James e o Pêssego Gigante (dublagem – 1996), A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (1999), A Fantástica Fábrica de Chocolate (2005), A Noiva Cadáver (2005), Sweeney Todd (2007), Alice (2010).

Leia Mais

5.4.10

Kurt


Com toda essa onda “back to 90’s”, nada mais juto que falar de Nirvana, já que hoje é o aniversário de 16 anos da morte do cantor da banda, Kurt Cobain.

Nirvana embalou meu ódio adolescente, assim como me deu motivo pra ter crises existenciais e assim, realmente pensar sobre sexo drogas e me apaixonar de verdade pelo heavy metal, ou melhor, o rock grunge de Seattle, que era referência pra algumas das bandas que posteriormente eu ia ouvir e não gostar.

É difícil, quando se realmente gosta do original e depois gostar do que surgiu dali e parece cópia.. Não acho que nenhuma outra banda grunge conseguiu fazer o que o Nirvana fez: no auge da gritaria dramática e junkie, Kurt e Cia, se sentaram e desplugaram a guitarra pra gravar o MTV Unplugged, que NÃO ficou menos rock’n’roll por isso!

Além de tudo, Nirvana virou referência pra qualquer nova banda de garotos de 15 anos espinhentos que começam a descobrir o rock agora..


polêmico (L)

Fãs de Guns’n’Roses: acho sua bandinha de uma fanfarronice macarrônica, e o Axl não passa de um poser de meia-idade ainda tentando ganhar a vida com o que um dia ele já ganhou alguns milhões. Kurt não precisou disso, e ainda fez como os bons malditos (Janis, Jim & Jimmy) do rock: morreu cedo e 'misteriosamente'.

Rest in peace! :)

8.2.10

My Girls Gone Wild #3

Em tempos de carnaval, alguém levanta a bandeira dos cafas e reconhece o tal charme dos bad boys.
Fernanda é caloura de Comunicação, que jogou Odonto pro alto, lembrando que seu "passado" artístico como atriz ainda corre em suas veias. Libriana, é meu super-ego em muitas noites - e dias, confesso - sempre prezando pelo amor, charme, doçura e a boa convivência. (Prometi dizer que ela não é confusa, mas ...)


Johnny DON'T be good!


Conheci Jonathan a algum tempo quando assisti ‘Match Point’, e foi completamente inevitável que eu me apaixonasse pelo moçinho-vilão que jogava tênis com aquele charme de conquistador canalha, dava o maior amasso na chuva com a Scarlet e no final, chorava com toda sinceridade depois de matar sua amante.

Mas meu verdadeiro caso de amor com Jonny, ou Jonathan Rhys Meyers para quem não é intimo como eu, começou um pouco mais tarde quando vi ‘August Rush’ ( que em português ficou sendo’ O som do coração’) filme maravilhoso em que Jonathan lindo, charmoso, ótimo ator, e com aquele sotaque irlandês não se compadece de pobres corações apaixonados como o meu e mostra seus dotes musicais, canta e toca guitarra com a maior pinta de rockstar.


Aquelas pessoas de sorte que gostam das pessoas “certas” certamente não vão entender e muito menos compartilhar da minha paixão. Mas com certeza, aquelas que assim como eu, fazem parte do grupo que gostam dos “errados” também vão perder a respiração por alguns segundos toda vez que o jonny aparecer falando: “Hugo” (mas AQUELE hruugooou) na propaganda da Hugo Boss. Sim, esse é o fator apaixonante, ou para ser brega o borogodó do Rhys Meyers, ele é o garoto problema, já foi preso algumas vezes pelas seguintes acusações: embriaguez, alteração da ordem pública, conduta violenta e desacato. Irresistivel, não?! A cara de galã com o charme de vilão fazem com que Jonathan seja perfeito para papeis como Henrique VIII ( um rei autoritario que rompeu com a igreja e se casou 6 vezes) e Elvis Presley (rei do rock’roll, do rebolado, do charme e defensor dos presidiários). Papeis que o deram mais credibilidade como ator, provando que Jonathan não é só mais um bonitão (perfeito, eu diria) com sotaque britanico.


Enfim, um pouco relutante, vou deixar aqui um top do meu amor, só pra tentar ser bem moderna -mente aberta e dividir ele com os outros. Bom Jonny, depois dessa declaração de amor, vou ficar esperando sua ligação para saber se eu arrumo um tempinho para você no meu carnaval!

1- August Rush (o filme é lindo, o Jonathan mais ainda)

2- The Tudors (qualquer uma aceitaria ser a 7, 8, 9, 10 esposa desse Henrique VIII)

3- Velvet Goldmine (Jonathan cheio de purpurina beijando Ewan McGregor)

4- Michael Collins (ele ta bem novinho e faz o papel de um assassino, ui!)

5- Match Point (não é meu preferido, mas é Woody Allen inspirado em Dostoiévski)

2.2.10

My Girls Gone Wild #2

Dessa vez o post é duplamente especial:
1º porque é o centésimo!!! (E eu achava que nao chegaria a 20!) e porque é dessa nossa série delicinha!

A autora da vez pegou o gancho de Sartori e continuou falando de relacionamentos amorosos. Dessa vez, Carol Zauza, faz um manifesto-desabafo contra a dor crônica de amor, ou melhor, ao culto da mesma.
Carolina é estudante de Direito, sarcástica incompreendida, taurina convicta e leitora misteriosa do blog.


AMOR-PRÓPRIO DJÁ!
Já que o assunto teve início e mulherzinha só sabe falar disso mesmo, vou continuar nessa vibe “relacionamentos”. Mais especificamente no ponto que, pra uns e outros, é quase a morte: o fim de relacionamentos. Porque (oi!?) eles acabam! Não importa se você está no pólo passivo ou ativo do término, você sempre sofrerá um desgaste.

Minha mãe (maior colecionadora de frases de desapego da face da Terra) sempre me disse: “A dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional.” Mas se o fim é uma verdade universal, pra que tanto sofrimento, minha gente? E que fique bem claro que não quero com isso parecer insensível ou prepotente. Pelo contrário, sou uma verdadeira drama queen: choro, soluço, me jogo no chão, bato a cabeça na parece e me corto (freak!).

Vai doer? Vai!

Vai dar raivinha? Muita!

Mas TEM QUE passar. Porque, gente, “CHORA, ME LIGA, IMPLORA MEU BEIJO DE NOVO” só é aceitável em show de sertanejo no Alambique em BH! Caso contrário, é totalmente desnecessário!

Isso tudo é pra pedir por mim e por vocês: AMOR-PRÓPRIO DJÁ!

Entendo que não é tão fácil assim e que palavras são sempre mais simples que a prática (clichê). Escolhi esse posicionamento e estou programando minha mente pra agir de acordo com isso tudo. Pode ser que eu me foda bonito, Brasil. Ou não.

E quando bater um desespero de leve, tenhamos em mente um trecho de Paper Bag que sempre me comove (porque eu sou dessas rachas emotivas): “Hunger hurts, but starving works, when it costs too much to Love.”.

Beijos e dignidade já! (NOT!)


25.1.10

My Girls Gone Wild #1

Começa aqui no blog, a sessão cor-de-rosa MY GIRLS GONE WILD, com as amigas convidadas a falar de qualquer coisa que combine com elas e o blog, ou não.


A primeira convidada é a maior incentivadora do "5 o'clock coffee", também bloggeira do recomendadíssimo Ondas Buenas, fashionista, moderna, blond fatalle- todas até agora são-, do rock e dos clássicos. Danielle Sartori expõe um pouco do seu lado assumido de Mujer Dramatica almodovariana e fala de romance e virtualidade.



Perdendo o fio da meada...



A vida moderna nos acomete de muitos males. Dentre os piores pra mim classificados seria o fato da vida virtual ter complicado e muito as relações e os romances de mujeres dramáticas como yo.

Explico melhor e para ilustrar vou até a idade da pedra.

Antigamente as bases das relações se davam por um compromisso firmado entre as famílias. Ter um romance ou relacionamento não era um trabalho nem mérito seu. Seu pai te oferecia a algum pretendente que ele julgasse bom e a partir daí vc se dava bem ou não.


Depois com a liberdade convencemos aos mais conservadores que amar era muito bom e que viveríamos ao lado de alguém baseado em algo que não se explica apenas se sente. Era a fase romântica onde era permitido se apaixonar e ACREDITAR. Os namoros e noivados eram coisa séria e ninguém exibia suas datas especiais a todos que quisessem bisbilhotar na rede. A gente sabia quando estava com alguém e não tínhamos a necessidade de se auto afirmar por fotos que não dizem nada.

Passado algum tempo tenho me deparado com conflitos que Freud não me explica.

A pseudo-distância afetiva tende a colocar tudo num caldeirão onde não separamos o joio do trigo. Vc envia um e-mail romantiquinho e quer pq quer uma resposta imediata desse chamego virtual.

Nessas horas o bom senso passa longe e vc não consegue pensar se ele teve tempo, se teve inspiração, ou qualquer coisa do tipo.

Numa euforia sem sentido a gente só tem olhos e rastreadores pra saber que ele respondeu fulano ou ciclano, que isso é pessoal e

que o romance subiu no telhado.

Montar um circo nunca foi tão fácil....



Passada a fase 1 da crise, isso nos aponta para o óbvio.

As fragilidades de nossas relações.

Falta base, falta toque de verdade, não do teclado.

Atualmente tem que ser ninja pra deixar alguém seguro diante dos apelos da internet e de tudo. E a ética de como fazer isso tá meio confusa. Pq nao é colocando foto de casal na sua página virtual que vc garante alguma coisa.


Freud no alto de sua sabedoria deveria apontar um predestinado pra fazer um apanhado disso pra gente

A humanidade está precisando de novos estudos, tá rolando uma defasagem de material e de apoio. Não adianta passar e-mail.


ps: texto feito com a colaboração de lamentos de uma amiga em meio a uma crise virtual no MSN.

13.12.09

Listas, promessas e mentiras?

Fim de ano e principalmente fim de década é normal que as pessoas façam listas do que mais marcou, das coisas mais legais, etc. Listas de música então, já vi umas 15 por aí.
Odeio essas listas! Odeio porque nunca concordo com tudo, mas afinal de contas, a graça das listas está nessa discordância, certo? Discordar daquilo que alguem selecionou, argumentar e tudo mais é um bom papo de fim de ano, confesso.
Pra não ficar de fora da brincadeira, pretendo fazer algumas listas também, só pra não perder o costume neurotico obsessivo que toma conta de mim. Top 10 Filmes e Música, que tal?

Além das listas do que que aconteceu, tem as minhas preferidas: as listas de 'resoluções' de ano novo..
Alguém consegue cumprir o que prometeu a si mesmo com tanta fé e algumas taças de champagne, no reveillon?
Eu não me lembro de ter feito nenhuma lista na vida, ou nenhuma promessa isolada de ano novo, mas esse ano algumas coisas me vieram à cabeça, nada demais, muito pelo contrário, clichê do clichê que me lembrou as resoluções de ano novo da Bridget Jones:

Parar de fumar
beber menos
malhar mais
estudar mais
ler mais
ver mais filmes
rezar mais
comer menos
ser mais autoconfiante
viajar mais
ganhar dinheiro

Todo bom brasileiro já prometeu uma dessas coisas, acordou de ressaca no dia 1, viajou na segunda quinzena de janeiro, tomou todas no carnaval, e comeu tudo o que pode na semana santa, e acabou esquecendo das promessas para 'ser uma pessoa melhor'. Seria uma tentativa de aliviar a culpa do que estava por vir? Seria uma busca por uma sensação de renovação de essa virada de ano deve proporcionar? Vontade natural de ser mais saudável e/ou culto? Ou brinks, só porque faz parte do ritual de virada, como quem joga flores pra Iemanjá, mesmo sendo católico?

Independente dos motivos que nos levam a fazer tais listas e promessas, acho difícil tanto cumprir com o que resolvi me prometer, quanto escolher alguma coisa que marcou o último ano ou a última decada - lembrem-se crianças, em 2000 eu tinha 13 anos e muuuuuuita coisa mudou.
Prometo tentar fazer uma lista séria e original, afinal, é ano de formatura e tenho que dar um jeito na vida - e inovar, claro!

Alguém aí tem alguma lista publicável?

18.11.09

Ficar sozinho no brasil - updating

Gostei tanto do trecho que postei abaixo, que procurei o artigo em questão e gostei ainda mais, por uma certa identificação, claro!
Então segue o link para o artigo completo: http://www.imil.org.br/artigos/ficar-sozinho-no-brasil/

Do Not Disturb

"A maioria dos intelectuais brasileiros que conheço teve que lutar para ler um livro dentro de suas casas, independentemente de nível social. (...) É que, no Brasil, somos também vigiados pelas nossas famílias, cujo princípio básico é evitar a solidão de seus membros. Qualquer tipo de isolamento ou individuação, seja porque a pessoa fala pouco ou porque fica dentro de seu quarto (quando o tem), é tomado como sintoma de que algo não está bem. Criamos nossos rebentos para serem sociáveis e dependentes dos mais velhos e exemplos para os mais novos. Olhamos mais vertical do que horizontalmente. Dessa jaula de carinhos e favores feita por relações perpétuas (pois nem a morte rompe com elas), não há escapatória. Nossas crianças não podem ficar sozinhas. A todo momento um adulto as excita, solicitando um olhar ou um sorriso. É enorme a carga social que despejamos uns nos outros. Disso resulta uma aversão à solidão que, no Brasil, é castigo. Na América, ensina-se como fazer amigos. No Brasil, precisamos do manual de como podemos nos livrar daqueles que, por amor, nos sufocam. É óbvio que uma pessoa assim socializada tenha dificuldades em ler e estudar, pois essas são atividades _como descobriram os monges e profetas_ que demandam um mínimo de isolamento e de autonomia, esses irmãos de um silêncio que é mandamento principal das bibliotecas e de todos os ambientes de leitura."

Do antropólogo Roberto DaMatta, no artigo Ficar sozinho no Brasil

17.11.09

[ctrl c + ctrl v] Ditadura Gay

“Você é a favor da aprovação do projeto de lei (PLC 122/2006) que pune a discriminação contra homossexuais?” Desde que a enquete apareceu no site do senado, faz umas semanas, evangélicos de todo o país iniciaram uma cruzada via internet, pelo direito de ofender pessoas que namoram pessoas do mesmo sexo.

Uma senhora chamada Rosemeire, por exemplo, expondo num blog seu temor de que a lei seja aprovada, disse que vivíamos “O início da Ditadura Gay no mundo!”. Pelo que entendi, Rosemeire acredita que está em curso uma batalha global, travada entre héteros e homossexuais, pela hegemonia na Terra. Hoje, os héteros estão vencendo, mas é só porque têm amparo legal para chamar os gays de viadinhos, as lésbicas de sapatonas e rir das piadas do Juca Chaves. No momento em que passarem a punir quem ofender pessoas que namoram pessoas do mesmo sexo, elas perceberão que chegou a hora, sairão todas correndo da The Week e tomarão o poder.

Imagine só, Rosemeire? Criancinhas terão de cantar Village People, na escola, enquanto assistem ao hasteamento da bandeira do arco-íris. Aos domingos, em vez de futebol, as TVs transmitirão Holiday on Ice e, com dezoito anos, os jovens serão obrigados a alistar-se no exército, fazer flexões de braço, dormir e tomar banho, uns na frente dos outros. Que horror!

Se você acha que Rosemeire exagerou, é porque não leu o blog de Rozângela Justino, cristã, psicóloga e indignada: “Se este Projeto (...) for aprovado, estaremos institucionalizando em nosso país o sistema de castas e todos aqueles que não forem homossexuais serão considerados cidadãos de segunda classe.”

Uau, Rozângela! O mundo, então, seria governado pela casta das Drag Queens? Um advogado gay, de terno e cabelo curto, seria de uma casta intermediária? E lutadores do Ultimate Fighting, viveriam de esmolas? Bem, talvez não...

Quanta imaginação têm as duas mulheres. Se seus piores pesadelos fossem filmados, seria preciso unir o talento de um Fellini com o de um Clóvis Bornay; juntar, no mesmo caldeirão, George Orwell e Andy Warhol; vislumbrar as ruas de Nova Déli sendo percorridas pela banda de Ipanema.

Se bem que... Sei lá. Pensando melhor, talvez o temor de Rosemeire e da Dra. Justino tenha algum fundamento. Veja o caso dos negros: há poucas décadas, todo mundo contava piada racista e eles eram cidadãos de segunda classe. Veio esse papo de igualdade, o que aconteceu? Um mulato chegou a presidente dos Estados Unidos!

A batalha racial já está perdida, mas a sexual ainda pode ser ganha! Basta ir ao http://www.senado.gov.br/agencia/default.aspx?mob=0, clicar em NÃO e mostrar a todos que ainda tem gente disposta a lutar por um mundo injusto, desigual e preconceituoso!

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Após a RainbowFest na não tão pacata Juiz de Fora, me deparei com esse texto do Antonio Prata e com o barraco das travas no dia do Miss Gay por aqui.
Navalhadas entre as participantes a parte, vi alguns comentários meio absurdos e fiquei chocado: um dia vejo milhares de pessoas na rua pedindo respeito - ainda que em meio a brigas e roubos -, e no outro vejo um comentário homofóbico com justificativa religiosa dizendo que é um absurdo que se respeitem pessoas.
Não consegui entender a linha de raciocínio dessa vertente 'religiosa'...
Queria muito que a lei fosse pra proibir essas igrejas.

7.11.09

A psicanálise e eu - texto todo trabalhado no ato-falho

Acho engraçado o fascínio das pessoas pela classe psicanalítica. Todo mundo, minimamente envolvido com o meio acadêmico e conhece algum psicanalista, muda o conceito sobre aquela pessoa na hora! Falo porque estou no meio desde que nasci por ser filho de psicanalista e ver como as pessoas são fascinadas pelo meu pai.

Desde que comecei a faculdade, vi que isso piorava. Os alunos, ou melhor, as alunas (já que correspondem a 90% dos estudantes de psicologia) são ficam histéricas atras dos professores que profetizam as palavras de Sigmund Freud & Friends Cia.

Não vou nem discutir genialidades e defeitos da teoria, e sim como se portam os tais psicanalistas convictos e profetas e o porquê de falar sobre isso, ainda que possa parecer um momento-divã, visto que sou filho de psicanalista e estudante de psicologia em crise acadêmica-existencial-MOR.

Falo sobre isso porque vejo como muitas pessoas vão mudando 'o jeitinho' de acordo com o que estudam: os Jungianos, Transpessoais e Integrais viram os hippies; os Cognitivistas-Comportamentais, os losers e nerds (no pior sentido da palavra, esqueçam a tendencia NerdPride e lembrem-se de Os Nerds Também Amam) que se acham super descoladinhos; e os psicanalistas, ah os psicanalistas! Se acham absolutos! E não é a toa, ja que é vendido profetizado ensinado que a psicanálise é uma verdade absoluta, e principalmente que psicanálise é pra poucos, logo, fazem parte do núcleo "in" da novela.

Teoria elitista insuportável né? Pois é. E os Psicanalistas ADORAM reforçar o fato vender a imagem encenar ser pessoas intelectualizadas, com cara de que estão ali pra te ajudar, desde que você não chegue até elas.
O ar blasé que beira a onipotência é o que encanta o público. Vejamos alguns fãs dos psicanalistas pra que vocês entendam melhor: Jô Soares, Rubem Fonseca, Woody Allen, Almodóvar, Zuenir Ventura etc etc etc... Digo isso como admirador da tal onipotência e desses admiradores.

A verdade é que na psicanálise rola mais barraco que qualquer concurso de Garota da Lage, mais fofoca que Gossip Girl, e mais intriga que filme adolescente: na teoria com o célebre Freud e seus antigos amigos, e na vida real pela massa histérica de psicanalistas do meio acadêmico.
Então, que fique claro, essa pose trabalhada na 'arrogância cultural' é só até a segunda cerveja, ou melhor, segunda dose de Cutty Sark ou Laphroaig (desculpa gente, vcs não bebem cerveja barata nem ouvem pagode tá?).

E eu? Eu? Lembra da crise acadêmica-existencial? Pois é! Faço a linha malandro-irritado, com uma culpa neurótica sem fim de não fazer o que devo, na faculdade. Além disso, cultuo a inacessibilidade para com meus companheiros de curso, só pra brincar de psicanalista convicto, ainda que me identifique e vá trabalhar com isso um dia. Pronto, fiz meu outting! Afinal de contas quem é que nunca me viu depois de umas doses de uísque?

PS: meu pai é um dos poucos que conheço que só bebe uísque, e é realmente discreto mesmo quando ébrio - porque psicanalista de verdade não fica bêbado, dissolve superego.

6.11.09

A 'no smoking' sign on my cigarette break



Evito ao máximo falar da lei anti-fumo.
Primeiro porque fumo. Segundo porque pensando no meu lado, acho a lei péssima, o que torna a opinião piegas. E terceiro porque todo mundo sempre fala a mesma coisa, e sempre quero que o assunto acabe rápido pra eu poder fumar meu cigarro quieto.

"Contras" politizados de lado, acho a lei um absurdo! Não gosto de ter que sair do meio da balada pra poder fumar, não gosto de ninguém me repreendendo e muito menos ser obrigado a acompanhar alguém no fumódromo quando não quero fumar.
Essa última situação sempre me acontece quando saio com mais uma pessoa, e esta quer fumar e não sabe fumar sozinha.

Além de tudo, são poucos os hábitos tão sociáveis quanto o cigarro. Todo fumante, por mais antissocial que seja, já pediu sem a menor vergonha, fogo pra alguém. E tem coisa mais erótica que pedir FOGO pra alguém?
Sem contar que fumar é suuuuper charmoso. Quantas vezes não me interessei por alguém só pela maneira que a pessoa aprecia o cigarro! Muitas vezes a pessoa parece estar transando com o cigarro!
Mas agora se você quiser ver essa cena de sexo, ops, fumo explícito, tem que ir pro fumódromo, onde mal se consegue ver as pessoas de tão apertado e antierótico é o "lugar".

Sempre me remeto a cenas claássicas em que as pessoas aparecem fumando com uma classe, um glamour e uma eroticidade inexplicáveis!
Ok, ok, eu sei que era tudo marketing, mas e daí?! Marketing GENIAL esse então! Tão genial que eu comprava cigarrinhos de chocolate só pra imitar. Tão genial, que o personagem de Woody Allen em Manhattan fala que se acha atraente com um cigarro, ainda que não tragasse. Tão genial que as fotos mais famosas de Marlene Dietriech e Audrey Hepburn são fumando!

Cigarro faz parte da música, do cinema, das artes em geral e não tem como desvencilhar essa imagem com tanta facilidade.
Não incentivem, mas também não me proibam de fumar na hora mais interessante ok? Se deixa a roupa e o cabelo fedidos, é só lavar, e isso é só uma questão de higiene - se é pra justificar que seja pelo lado da saúde, aí sim eu super respeito!

Fumantes passivos, desculpem a grosseria e o egocentrismo, mas o blog é meu, e aqui pode fumar a vontade. Obrigado!

3.11.09

[ctrl c + ctrl v] Homem que é homem

Por Joaquim Ferreira dos Santos

Homem que é homem domingo à noite liga a televisão para ver todas as mesas-redondas que estão passando, mas no último fim de semana eu confesso que vi mesmo foi o Fantástico. Tinha um quadro com esse mote. Homem que é homem não come suflê, não faz alongamento, não fala 'enquanto gente', não usa batom para evitar o ressecamento dos lábios. Também não fica elogiando o brucutu ao lado assim sem mais nem menos. Mas, se ninguém sabe mais muito bem o que é esse homem de verdade, eu me aproveito da confusão reinante para dizer que o quadro é das melhores coisas da televisão. Mandaram bem, meninos, meu eu interior vibrou a nível de holístico.

Homem não dá ibope na televisão e o quadro já sai do ar este domingo. Agora até as mesas-redondas de futebol, como as da MTV e da SportTV, lançam um olho de sedução para a audiência feminina. E tome Sex and the city, Superbonita e dezenas de atrações discutindo o que passa por debaixo da balaiage delas. ''Homem consome menos'' - descobriram os sabichões. ''Fale com ela'' - descobriu Almodovar, e o cara da grade televisiva acreditou. A atração do Fantástico era um cavanhaque, uma costeleta de exceção, bem-humorada, no debate sobre o que vai por baixo dos suspensórios deles. Se eu entendi alguma coisa, havia sotaques viris em nordestês e outros doces em neymatogrossês, homem que é homem hoje não tem a mínima noção do que seja isso.

Eu tenho conhecimento, uma colega aqui do B me contou que já há homens telefonando no dia seguinte, uma eterna reclamação delas. Da mesma maneira que outros continuam nem aí, neanderthal total, desinteressados em pegar com elas qualquer informação de como se chega, qual atalho pegar, na tal rodoviária Ponto G. O território masculino tem mais facções que xiitas e curdos em Bagdá. Além de não discutir a relação, não comer canapé nem salsinha, o homem que é homem do Fantástico não joga futebol no meio de campo - é cabeça de área. Ou beque. Eu daria uma terceira opção: ou fica de um lado para o outro, rebolando como o Robinho, o homem que é o futuro do futebol brasileiro.

Há muitas possibilidades de ser másculo hoje em dia e a melhor de todas talvez seja a de não precisar posar mais de homem, nem mesmo se for com um terninho lindo, preto com falsas listas de giz, que saiu na coleção de inverno do Alexandre Hercovitch. Foi uma revolução - um texto testosterona não devia incluir essas palavras, mas lá vai - passiva. As mulheres a fizeram e só nos cabe agradecer. Foram à luta, de início para conseguir direito ao voto, e hoje conseguem ser respeitadas até pelo direito de beliscar o bumbum do Gianecchini se cruzarem com ele na rave. O homem, acuado, aceitou ficar menos. Umas pitadas do perdedor Hommer Simpson. Uma nonchalance diversionista, tipo assim, Boy George. O resultado, pasmem!, é bom.

Eu tenho um amigo gaúcho, jornalista, que fala muito grosso, e ele me disse dia desses, epidermicamente sensibilizado, que está adorando fazer pilates. Não disse ''a-do-ran-do'', o que tornaria tudo diferente. Ele está adorando o pilates porque se sente mais solto, ou mais disposto, não me lembro bem. Sugeriu até que eu parasse com a musculação. ''Embrutece a articulação, tchê'', desdenhou.

Esse novo 'homem que é homem' pode até saber a diferença entre celulite e estria, mas, diante da choradeira delas por causa do infortúnio estético, perguntam incrédulos, como cego aos apalpos: ''onde? onde?''. Desconhecem-lhes as imperfeições, ajoelham-se às súplicas por mais preliminares. O homem-pilates não quer mais saber do bafo no cangote do machismo - e se ainda se faz necessário novo exemplo aqui está o ensaio do fotógrafo Jorge Bispo. Ele propôs a um grupo de atores, homens acima de qualquer suspeita, como Fábio Assunção, que se vestissem de... noiva. Todos aceitaram. De graça. Pelo simples prazer de experimentarem o frissom por baixo dos panos ou qualquer outra viagem mais particular a que quisessem submeter suas enzimas.

No quadro do Fantástico, os homens deixam Mariana Ximenes esperando na porta do vestiário e partem para a briga. Não disputam a loura. Instigados a pensar no nome que usariam se virassem travesti - se precisassem por uma necessidade cármica deixar vazar, Lapa afora, a última flor do macho carioca - eles saem no pau porque todos quereriam usar como travecas o mesmo nome de Záfine. Sem dúvida, e o jogador Edilson que voltou ao Flamengo com a sobrancelha depilada concordaria comigo - taí, um lindo nome.